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[Cantinho do Pirralho] Retrospectiva Wonder Woman: Silver Age

setembro 28, 2016

Eis a segunda parte da retrospectiva sobre a Wonder Woman em comics (podem ler a 1ª parte clicando aqui):



A entrada da DC Comics na Silver Age, em 1956, foi sinónimo de grandes mudanças para a heroína amazona. Diana Prince, que como vimos na primeira parte desta retro havia sido membra fundadora da JSA, também o vai ser da nova Justice League of America. Em 1960, nas páginas de The Brave and The Bold #28, a Wonder Woman vai juntar-se aos outros pesos-pesados da companhia para fazer frente ao invasor espacial Starro, The Conqueror.


Ao contrário do que se havia passado com a JSA, na Justice League of America, Diana assumiu um papel mais activo e heróico, deixando para trás os seus tempos de secretariado. Contudo e contrariamente ao que se passava com outros heróis da companhia, Diana, a par com Clark e Bruce, havia sido dos únicos super-heróis cuja publicação havia sido ininterrupta desde a sua criação, não sendo afectados pelo crash que abalou as comics norte-americanas, em especial o género super-heróico, aquando da conclusão da Segunda Guerra Mundial. O escritor da época, Robert Kanigher, vai fazer umas pequenas modificações à origem da personagem. Contudo, em vez de a afastar do seu passado mitológico, como seria de se esperar, Robert vai aproximar Diana ainda mais a esse contexto. 


Na nova origem das Amazonas, descrita em DC Special Series #19, estas são a criação da Deusa Aphrodite. Uma raça de super-mulheres imortais capazes de vencer qualquer homem e cuja força provinha do poder do Amor. Lideradas por Hippolyta, as invencíveis Amazonas acabam por eventualmente conhecer a derrota, com a rainha a ser ludibriada e capturada por Hércules. Os homens vão escravizá-las, sendo que apenas a intervenção de Aphrodite permitirá às Amazonas fugirem ao seu cativeiro. Contudo, a ajuda divina vem a um preço e Aphrodite decide “banir” as Amazonas para a ilha oculta que se tornará a Paradise Island. 

É nesta altura que as Amazonas passaram a usar as famosas braceletes metálicas, um símbolo do seu breve período de escravidão. Hippolyta e as Amazonas vivem isoladas durante milénios, até que a rainha sentindo-se só, decide ter uma filha. Aqui a origem permanece idêntica e Diana nasce do barro. A diferença está que foi Aphrodite quem a bafejou com o sopro da vida e a dotou de uma beleza invejável. Outros Deuses também participaram, com Athenas a transmitir sabedoria à jovem criança, Hermes a dar-lhe o dom da velocidade e, irónicamente, Hercules a conceder-lhe força sobrehumana, conforme pode ser visto em pormenor no número 105 de Wonder Woman (Vol 1, de 1959). 

Depois disso, a origem da Golden Age repete-se, com a ligeira diferença de o salvamento de Trevor não ter sido o primeiro acto heróico de Diana. Como Kal-El, também Diana vai ganhar uma face Superbaby e Superboy.


Diana começou a sua carreira de heroína bem cedo, como Wonder Tot e mais tarde como Wonder Girl, com as suas primeiras aparições a ocorrerem ambas em 1961, nos números 124 e 125 de Wonder Woman (Vol 1).

Curiosamente, estas duas versões de Diana, que deveriam ser vistas como partes de um todo, surgiam muitas vezes quase como as suas próprias personagens, nas chamadas Impossible Tales. Junto com a Diana, Wonder Woman, e Hippolyta, as quatro formavam aquilo a que se passou a chamar de Wonder Family, algo similar à já estabelecidas Bat-Family (Batman, Robin, Alfred e Batgirl) e Super Family (Superman, Krypto, Supergirl e Superboy). Contudo e antes de avançarmos mais nesta retro, convém salientar que por esta altura o conceito de Multiverso já andava no ar. 

O encontro entre o Flash da Golden Age (Jay Garrick) e a sua contraparte da Silver Age (Barry Allen) em The Flash #123 (Vol 1, de 1961), escancarou a porta e introduziu a noção da existência de inúmeras Terras. 
 

Às versões actualizadas dos heróis foi dada a Earth-1, enquanto que os antigos ficariam com a Earth-2. No caso da Wonder Woman, a nova versão Silver Age, seria definitivamente introduzida em 1968, isto apesar da nova origem, nas páginas de Wonder Woman #174 (Vol 1), numa história que mostrava Diana em batalha com Angle Man.

As histórias anteriores a esse número passam a ser atribuídas à versão Golden Age da personagem e passam a ter lugar na Earth-2. Todavia isso apenas se aplica às histórias passadas durante a Segunda Guerra ou as que não incluem a versão Earth-1 de Hippolyta, que aqui é loira e contraponto com a versão Golden Age que é morena. A presença de Diana na fundação da JLA também é considerada como tendo ocorrido na Earth-1, ao contrário das da JSA, pelos mesmos motivos. Relactivamente à ideia de Wonder Family, esta por e simplesmente não vai descolar. O papel de Hippolyta é mínimo nas aventuras de Diana, com a rainha e mãe da heroína a agir como mentora e nada mais que isso. Por outro lado, a Wonder Tot faz a sua última aparição em 1965, nas páginas de Wonder Woman #158. 

A única popular o suficiente é Wonder Girl, a versão adolescente de Diana. Contudo, a origem da personagem vai ser modificada, com Wonder Girl a ser revelada não como sendo Diana Prince, mas Donna Troy, uma jovem que foi resgatada por Wonder Woman de um incêndio que vitimou a sua família. Troy vai ser adoptada por Hippolyta e tornar-se-à assim a irmã de Diana. Uma humana normal, Troy obtem os seus poderes do icónico Purple Ray, que a vai imbuir das habilidades das Amazonas. A nova e definitiva Wonder Girl vai ser revelada nas páginas de Brave and The Bold #60 (Vol 1), em 1965, com a personagem a integrar regularmente as aventuras de Diana e da jovem equipa adolescente dos Teen Titans. Todavia, Diana não vai ser a única Wonder Woman a existir na Earth-1.


Em Wonder Woman #98 (Vol 1), de 1958, vai ser introduzida a Amazona ruiva Orana, que vai disputar com Diana o título de Wonder Woman. Derrotada, Orana terá que esperar até 1978 para voltar a desafiar a heroína pela honra de ser a mais poderosa das Amazonas. Orana vence o torneio e torna-se na nova Wonder Woman...por um issue. Após assumir a identidade no número 250, Orana morre a combater o terrorista Warhead. 


Outra Wonder Woman, Nubia, vai ser apresentada em Wonder Woman #204, corria o ano de 1973.  Com os seus poderes a serem-lhe concedidos por Ares, Nubia é a filha perdida de Hippolyta e a irmã gémea de Diana. Conhecida como a Wonder Woman da Floating Island (ou Slaugther Island), ela não partilhava da benção dos outros Deuses Gregos, mas era igualmente poderosa. Rival de Diana, Nubia depressa se tornará numa nobre aliada. 


Contudo e como o Multiverso é grande, em 1964, a DC apresenta Superwoman, a vilã da Earth-3. Amazona, como Diana, Superwoman é na verdade uma versão maléfica de Lois Lane. Dotada com um lasso semelhante ao das Wonder Woman das Earth-1 e 2, a Superwoman vai atacar a Earth-1 junto com o Crime Syndicate of America, contraparte da JLA, nas páginas de JLA #29, corria o ano de 1964. Fora do mundo das comics, Wonder Woman vai ter direito a uma curta em 1967, com a actriz Ellie Wood Walker a ser a primeira a representar a amazona. A curta era uma espécie de piloto para uma comédia, dentro dos mesmos moldes da série do Batman, contudo a ideia não será aceite pelos estúdios da Warner Bros. 


Nas comics os ares da mudança voltavam a soprar e depois de Wonder Woman #179 (Vol 1), Diana perderia os seus poderes a título definitivo. Nesta história de 1968, as Amazonas deixam a dimensão terrestre e Diana fica para trás, por causa de Trevor, com o custo a ser os seus poderes e o icónico uniforme. É a fase da Mod Wonder Woman, na qual Diana passa a servir-se de artes marciais para lutar contra o crime, tendo como mentor um velho chinês cego, I-Ching. 


Diana passa ainda a ser dona de uma boutique em Greenwich Village, ao mesmo tempo que prosegue uma carreira como tradutora para as Nações Unidas e de astronauta para a Nasa. A carreira militar de Diana também evolui, com Prince a ascender ao cargo de Major. A heroína passa a usar um fato totalmente branco, claramente inspirado no da agente especial da série Avengers, Emma Peel.


Mais distante fica Trevor, cuja relevância nas histórias é drasticamente reduzida. Uma Wonder Woman mais tradicional vai ser representada em duas séries de animação. A primeira, uma breve aparição na série The Brady Kids, em 1972, e a segunda numa das mais populares séries de animação de sempre, os Superfriends, em 1973.
 

Os Superfriends vão durar até 1986, com Wonder Woman a estar sempre presente nos roster daquilo que para todos os efeitos foi a primeira série da JLA. Em 1974, a ABC tentou fazer um filme com a heroína. Aqui Diana é representada pela actriz Cathy Lee Crosby, sendo loira e com um uniforme bastante distinto do original. Contudo, o filme da ABC foi um fracasso. Diana teria que esperar um ano pela série que a voltaria a colocar no mapa. 

Mas isso é algo para ler no próximo mês. ;)


Escrito por: Ivo Silva
(podem ler muito mais sobre comics, jogos e demais temas geek no blog: http://culturaeartepop.blogspot.pt/)

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Pirralha